sexta-feira, 8 de julho de 2011

Plano de negócios

Plano de negócios (do inglês Business Plan), também chamado "plano empresarial", é um documento que especifica, em linguagem escrita, um negócio que se quer iniciar ou que já está iniciado.
Geralmente é escrito por empreendedores, quando há intenção de se iniciar um negócio, mas também pode ser utilizado como ferramenta de marketing interno e gestão. Pode ser uma representação do modelo de negócios a ser seguido. Reúne informações tabulares e escritas de como o negócio é ou deverá ser.
De acordo com o pensamento moderno, a utilização de planos estratégicos ou de negócios é um processo dinâmico, sistémico, participativo e contínuo para a determinação dos objetivos, estratégias e acções da organização; assume-se como um instrumento relevante para lidar com as mudanças do meio ambiente interno e externo e para contribuir para o sucesso das organizações. é uma ferramenta que concilia a estratégia com a realidade empresarial. O plano de negócio é um documento vivo, no sentido de que deve ser constantemente atualizado para que seja útil na consecução dos objetivos dos empreendedores e de seus sócios.
O plano de negócios também é utilizado para comunicar o conteúdo a investidores de risco, que podem se decidir a aplicar recursos no empreendimento.
Para E. Bolson, plano de negócio "é uma obra de planejamento dinâmico que descreve um empreendimento, projeta estratégias operacionais e de inserção no mercado e prevê os resultados financeiros"[1]. Segundo o mesmo autor, a estratégia de inserção no mercado talvez seja a tarefa mais importante e crucial do planejamento de novos negócios.

Índice

[esconder]

Contexto e objetivos

O desenvolvimento do plano de negócios, como sistematização das idéias a respeito dos negócios do empreendimento (culminando com a produção de um documento de referência), pode ser visto como uma etapa no processo empreendedor:
Identificar e avaliar a oportunidade → Desenvolver o plano de negócios
→ Determinar e captar os recursos necessários → Gerenciar o empreendimento criado
A existência de um plano estratégico aumenta a possibilidade de uma empresa aproveitar potencialidades e oportunidades actuais e futuras, ao mesmo tempo que permite reduzir a probabilidade de restrições e ameaças, podendo, a partir delas, prever boa parte dos riscos e situações operacionais adversas.
Um plano de negócios deve possuir todo um conjunto de características específicas de forma a ser suficientemente flexível para se ajustar à evolução do meio envolvente, pois se não puder ser implementado pelos próprios executantes, a sua utilidade para a empresa é reduzida.
Em sentido lato, o Plano de Negócios é um documento resultante de uma metodologia de planeamento que define o ponto de partida e os objectivos da empresa e traça o percurso que ela deve seguir. Na sua essência, trata-se de um documento fulcral para ajudar empresários ou gestores executivos e as organizações a conduzirem os seus negócios.
Planejar é essencial para o sucesso de qualquer tarefa. Planejar significa formular metas, objetivos e estabelecer orientações para o futuro de uma empresa ou oportunidade de negócio. Deste modo, há um determinado número de fatores críticos que deverão ser levados em consideração para um processo de planejamento com sucesso: Metas - Estabelecer metas realistas a atingir. Esta deverão ser específicas, mensuráveis e estabelecidas com limites temporais. Compromisso - A tarefa a empreender deverá ser assumida por todos os envolvidos. Prazos - Deverão ser estabelecidas datas-chave, subdividindo a meta final e permitindo uma monitorização contínua e uma medição da evolução no tempo. Contingências - Eventuais obstáculos deverão ser antecipados e estratégias alternativas deverão ser formuladas.
Pode-se resumir os objetivos de um plano de negócios nos seguintes itens:
  • Testar a viabilidade de um conceito de negócio.
  • Orientar o desenvolvimento das operações e estratégia.
  • Atrair recursos financeiros.
  • Transmitir credibilidade.
  • Desenvolver a equipe de gestão.
Benefícios
• O plano de negócio orienta o empreendedor a iniciar sua atividade econômica ou expandir o seu negócio.
• Permite estruturar as principais visões e alternativas para uma análise correta de viabilidade do negócio pretendido e minimiza os riscos já identificados.
• Contribui para o estabelecimento de uma vantagem competitiva, que pode representar a sobrevivência da empresa.
• Serve como instrumento de solicitação de empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras, novos sócios e investidores.
• Definir claramente o conceito do negócio, seus principais diferenciais e objetivos financeiros e estratégicos
• Mapear de maneira detalhada O QUE será feito, POR QUEM será feito e COMO será feito, para que os objetivos do negócio sejam atingidos;
• Relacionar os produtos que serão oferecidos ao mercado;
• Definir A QUEM vai ser oferecido e QUEM vai competir com o novo negócio;
• Posicionar COMO o cliente vai ser localizado e atendido;
• Mapear QUANTO será necessário investir no novo negócio, e QUANDO será o retorno financeiro previsto;
• Descrever QUANDO poderão ser realizadas as atividades e como serão atingidas as metas;
• Identificar os riscos e minimizá-los, e até mesmo evitá-los através de um planejamento adequado;
• Identificar os pontos fortes e fracos da organização e compara-los com a concorrência e o ambiente de negócios em se que atua;
• Conhecer o mercado de atuação e definir estratégias de marketing para seus produtos e serviços;
• Analisar o desempenho financeiro de seu negócio, avaliando os investimentos, retorno sobre o capital investido.

Um plano referente a um empreendimento maduro possui objetivos similares, exceto pelo fato de estar focando o crescimento do empreendimento ou a criação de uma determinada linha de negócios (não a criação do empreendimento como um todo).

Cuidados a ter quando se escreve um Plano de Negócios
Tal como se utiliza o PN para definir o negócio que se quer implementar, é necessário utilizar um guia para criar o PN ideal para a empresa\ projecto que o empreendedor quer lançar, existindo, para esse efeito, muitos tutoriais e modelos disponíveis na Internet para consulta (basta fazer uma procura sobre “business plan” ou “plano de negócios”, para obter uma grande lista de sites sobre esta temática).
A construção do PN não deve restringir-se a um modelo previamente elaborado. Um dos erros mais comuns na escrita dos planos reside na pouca originalidade que muitos têm. Muitos empreendedores limitam-se a “emprestar” informação de outros documentos. Este método de construção não é correcto, pois cada negócio funciona de uma maneira individual, e cada tópico relevante necessita de ser fundamentado e posteriormente revisto.
O empreendedor deverá ter as seguintes considerações gerais antes de elaborar o documento:
- Definir os objectivos para produzir o PN – Quem vai ler o plano, e o qual o objectivo dessa leitura? Ao definirem-se estes objectivos o empreendedor consegue decidir qual o conteúdo, e respectivo ênfase que coloca em todas as secções do documento.
- Atribuir tempo suficiente para investigação – A qualidade de um PN é proporcional ao tempo que se dedica à investigação antes da sua elaboração. É possível obter informação sobre o crescimento de mercado, perspectiva da indústria e perfis de clientes em bibliotecas, através da Internet e em serviços de base de dados pagos. Para além de factos publicados é possível realizar entrevistas a fornecedores, especialistas e concorrentes – quanto melhor se conhecer a indústria, clientes e competição do negócio melhor se conseguirá fundamentar o plano.
- Definir a audiência e dimensão do PN – A dimensão de um PN típico pode variar entre as 10 e as 100 páginas, dependendo do uso que se quer fazer do plano e da audiência que o vai ler. Um PN interno de uma empresa pode excluir secções como a gestão e ser mais específico na implementação. Um PN básico para bancos tem usualmente 20 páginas onde é incluída a análise financeira.
- Redacção e Revisão – O empreendedor só possui uma oportunidade para utilizar o PN para recrutar investidores. São os planos bem escritos e fundamentados que abrem as portas da oportunidade: é preciso editar e rever continuamente o documento.
- Mostrar rascunhos do PN a terceiros – É muito fácil a um autor de um texto não descobrir erros de raciocínio na obra que escreve, ou subestimar informações sobre áreas que não domina. É muito útil mostrar e rever o plano com pessoas da mesma, ou outras áreas.
Existem também alguns cuidados antes de elaborar as diferentes secções que constituem o PN:
- Definir os pontos-chave – Uma boa maneira de garantir a consistência entre as secções, de reduzir a duplicação e de referir toda a informação relevante consiste em delinear todos os pontos-chave para cada parte do PN antes de iniciar a sua escrita.
- Garantir que as projecções financeiras são credíveis – para muitos leitores, a secção financeira é a secção mais relevante do plano, pois a partir dela é possível identificar as necessidades financeiras para o empreendedor e é possível analisar o potencial de lucro do negócio, para além de garantir a credibilidade junto do leitor. É preciso não esquecer que nas situações em que é preciso realizar projecções, não convém ao empreendedor ser excessivamente optimista.
- Escrever o Sumário Executivo no fim – o Sumário Executivo, uma das primeiras secções do PN, consiste numa espécie de resumo do documento e, como é uma das primeiras partes a ser lida, convém que tenha uma dimensão reduzida e que sublinhe os aspectos mais importantes do plano, para incentivar eficazmente o leitor.

Convenções mais utilizadas

As seções que compõem um plano de negócios podem ser padronizadas para facilitar o entendimento. Cada uma das seções do plano tem um propósito específico, com um significado já bem conhecido dos potenciais leitores.
Quanto ao volume, podem variar bastante. Um plano de negócios para uma pequena empresa de terceirização pode ser menor que o de uma grande organização. Muitas seções podem ser mais curtas que outras e até ser menor que uma única lauda. O importante é que seu grau de detalhamento esteja adequado ao seu público alvo. Neste sentido pode-se dividir, grosseiramente, em 3 tipos:
  • Mini (mini-plans): quando apenas uma seção, similar a um sumário executivo, é apresentada. Por ser um resumo isolado, a terminologia e tipo linguagem (formal ou informal) deve aderir com precisão a um público-alvo previamente especificado.
  • Parcial (working plans): planos de tamanho intermediário, em geral fazendo uso de linguagem mais informal, que permite maior compactação.
  • Completo (presentation plans): planos para uma apresentação mais completa, bem detalhados, em geral fazendo uso de linguagem formal e com maior cuidado na formação.
Não existe uma estrutura rígida e específica para se escrever um plano de negócios, porém, qualquer plano de negócios deve possuir um mínimo de seções as quais proporcionam um entendimento completo do negócio.

Estrutura de um plano de negócios

O plano de negócios é composto por várias seções que se relacionam e permitem um entendimento global do negócio. Elas são organizadas de forma a manter uma seqüência lógica que permita a qualquer leitor do plano de negócios entender como funciona o empreendimento e o que se planeja.
O plano completo usualmente é visto como uma coleção de sub-planos, incluindo "Plano financeiro", "Plano de marketing", "Plano de produção", e "Plano de recursos humanos". Desse modo o leitor também espera compreender seus produtos e serviços, seu mercado, sua situação financeira, sua estratégia de marketing, e demais recursos.
As seções propostas, descritas sucintamente abaixo, seguem o padrão que se capta, aproximadamente, do formato recomendado por empresas, financiadores, livros, e exemplos de caso.
Dependendo do público alvo do plano de negócios, estruturas distintas das aqui propostas terão, provavelmente, de ser apresentadas.

Capa e sumário

A capa do plano de negócios (ou página home no caso de hipertexto) fornece a primeira impressão e pode determinar o grau de atenção que o leitor proporcionará inicialmente para o documento. Todavia planos de negócios são requeridos, com freqüência, em meio digital, para serem formatados em contexto análogo ao de uma revista, onde cada plano equivaleria a um artigo. Neste caso não faz sentido o uso de uma "capa do documento", de modo que a preocupação maior deve ser com relação ao título apresentado.
O sumário deve conter o título de cada seção do plano de negócios — no caso impresso também a página respectiva onde se encontra.

Sumário executivo

O sumário executivo é a principal seção do plano de negócios. Através do sumário executivo é que o leitor decidirá se continua ou não a ler o plano de negócios. Não obstante a sua importância, este não deverá conter mais de 500 palavras, sensivelmente 1 a 2 páginas, pelo que deverá ser uma radiografia do negócio.
Função: explica o modelo de negócios básico, fornece uma explanação dos fundamentos e justificativas gerais para a estratégia que se tem em vista.
Recomendações: deve ser escrito com muita atenção, revisado várias vezes e conter uma síntese das principais informações que constam no texto do plano de negócios. Deve ainda ser dirigido ao público alvo do plano de negócios e explicitar qual o objetivo do plano de negócios em relação ao leitor (ex.: requisição de financiamento junto a bancos, capital de risco, apresentação da empresa para potenciais parceiros ou clientes etc.). O sumário executivo deve ser a última seção a ser escrita, pois depende de todas as outras seções do plano para ser feita.
O sumário executivo deverá focar os seguintes aspectos:
  • Breve descrição da empresa - referir o nome, o que vende e a quem;
  • Como surgiu a ideia de criar a empresa - contextualizar a o surgimento da ideia, se de uma necessidade de mercado apercebida, se decorrente de alterações legislativas, etc.;
  • Apresentação do conceito de negócio - referir que produtos ou serviços serão vendidos, a que clientes e mercados e com que vantagens competitiva;
  • Definição da proposta de valor - qual o valor que o produto ou serviço irá acrescentar ao cliente.
Um resumo executivo :
- Só deve ser composto depois de se ter escrito o corpo do relatório;
- Transmite ao leitor o essencial conteúdo do documento original;
- Antecipa os pontos principais do documento, permitindo ao leitor construir um quadro mental para organizar e compreender a informação detalhada na parte principal do relatório;
- Ajuda o leitor a fixar os resultados chaves e as recomendações que estão no documento.
Antes de compor o resumo/sumário o relator deve:
- Determinar que conteúdo, estrutura e extensão ele deve ter;
- Realçar os pontos chaves , e especificar o objectivo e o tema central do relatório;
- Determinar quais são as ideias chaves;
- Agrupar ideias de forma lógica , e preparar uma página de ponto do resumo;
- Determninar se o uso de subtítulos , bullets , negrito selectivo , ou algum outro tipo de estrutura organizacional , ajuda a uma melhor leitura do resumo;
- Escrever o resumo nas suas próprias palavras , usando um estilo profissional.
Um resumo executivo é na sua natureza, similar a outros resumos no seu objectivo principal , o qual consiste em fornecer uma versão condensada do conteúdo de um relatório longo. Contudo, um resumo executivo, diferencia-se pelo facto de ser escrito para alguém que muito provavelmente não tem tempo para ler todo o original. Se por um lado o enorme aumento de quantidade, de informação disponível sobre muitos tópicos tem gerado relatórios cada vez mais extensos e densos, infelizmente, não se tem verificado uma evolução correspondente na quantidade de tempo disponível dos executivos/decisores para ler esses extensos relatórios. Assim de um modo geral, procura-se responder a esse problema com um resumo executivo, o qual:
- Tem uma extensão inferior a 10% da do documento original;
- Tem entre 1 a 10 páginas de extensão;
- É autocorrigido , podendo ser publicado como documento independente;
- É rigoroso;
Este último aspecto é muito importante pois muitas decisões poderão ser tomadas com base no resumo por pessoas que não leram o original. Em muitos casos , o resumo executivo faz também recomendações. Os elementos que se referem a seguir constituirão , no todo ou em parte , o resumo executivo:
- Prepósito âmbito do documento;
- Métodos utilizados na execução dos trabalhos;
- Resultados obtidos;
- Conclusões;
- Recomendações;
- Outra informação de suporte.
Os elementos que o relator possui inclui no seu resumo executivo, assim como a sua extensão , depende normalmente do objectivo, da natureza e do destinatário do documento.

Planejamento estratégico do negócio

A seção de planejamento estratégico é onde são definidos os rumos do empreendimento, sua situação atual, suas metas e objetivos de negócio, uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), bem como a descrição da visão e missão do empreendimento. É a base para o desenvolvimento e implantação das demais ações do empreendimento.

Descrição da empresa/empreendimento

Nesta seção deve-se descrever o empreendimento, seu histórico, estrutura organizacional, localização, contactos, parcerias, serviços terceirizados, etc.
Em caso de empresa já constituída, descrever também seu crescimento/faturamento dos últimos anos, sua razão social, e impostos.

Produtos e serviços

Descrever quais são os produtos e serviços, como são produzidos, ciclo de vida, fatores tecnológicos envolvidos, pesquisa e desenvolvimento, principais clientes atuais, se detém marca e/ou patente de algum produto etc.

Análise de mercado

Deve-se mostrar que se conhece muito bem o mercado consumidor do produto/serviço (através de pesquisas de mercado): como está segmentado, as características do consumidor, análise da concorrência, a participação de mercado do empreendimento e a dos principais concorrentes, os riscos do negócio etc. A análise do mercado envolve pelo menos três dimensões: o mercado consumidor actual e potencial, os fornecedores e os concorrentes actuais e potenciais. Esta análise pressupõe, assim, uma análise da procura e da oferta. Com os resultados obtidos, opte por apresentar dados estatísticos que funcionem como indicadores para a viabilidade do nosso negócio, de acordo com a actuação do mercado.
É importante:conhecer o cliente (público alvo);definir o âmbito geográfico de actuação da empresa;identificar os concorrentes;enunciar os pontos fracos e vantagens em relação a eles; estabelecer os fornecedores para dar resposta a todas as necessidades do negócio;delinear a estratégia de marketing.

Plano de marketing

O Plano de marketing apresenta como você pretende vender seu produto/serviço e conquistar seus clientes, manter o interesse dos mesmos e aumentar a demanda. Deve abordar seus métodos de comercialização, diferenciais do produto/serviço para o cliente, política de preços, projeção de vendas, canais de distribuição e estratégias de promoção/comunicação e publicidade. Destaca ainda a necessidade da interação com os clientes buscando destes respostas para melhoria contínua. Empresas

Plano financeiro

A seção de finanças deve apresentar em números todas as ações planejadas de seu empreendimento e as comprovações, através de projeções futuras (quanto precisa de capital, quando e com que propósito), de sucesso do negócio. Deve conter itens como fluxo de caixa com horizonte de 3 anos, balanço, ponto de equilíbrio, necessidades de investimento, lucratividade prevista, prazo de retorno sobre investimentos etc.

Plano de investimento
Se concluirmos que o nosso negócio tem espaço e aceitação no mercado, vamos calcular o investimento necessário à sua concretização. Nesta altura iremos explicitar que tipo de necessidades são importantes e prioritárias para implementar o nosso projecto para saber qual o investimento que terá de ser realizado.Por exemplo:
Instalações - a escolha das instalações é muito importante porque elas serão a "cara" da empresa\marca. Para além do aspecto estético, existem três questões práticas fulcrais:o valor do investimento,a funcionalidade,a localização.
Equipamento - é mais um investimento sem o qual não se pode passar. A análise deverá ponderar o custo e produtividade dos equipamentos, assim como a duração e a forma de os disponibilizar (aquisição ou leasing).
Selecção e Recrutamento de pessoal - do trabalho da equipa depende o sucesso do projecto. Por isso, é fundamental apostar numa equipa competente, com a experiência necessária e com o perfil adequado. Além disso, o investimento deverá ainda contemplar formação dos colaboradores.
Consultoria e serviços de apoio - é um outro tipo de recrutamento de pessoal. Existem competências necessárias para a implementação do projecto que poderão não existir na empresa, o que implicará o recurso no exterior a especialistas dessas áreas como: consultores, advogados, contabilistas, etc.
Outras despesas - são despesas relacionadas com a própria constituição da empresa, com os estudos de mercado elaborados, etc.
Depois de ter somado todas as despesas, saberemos qual será o capital a investir e se vale a pena ou não em concretizá-lo.
Plano de exploração
Nesta parte do Plano de Negócio, o empreendedor tem de analisar com rigor os proveitos e os custos. Ou seja, saber como vai ser produzido o seu produto/serviço, quanto vai gastar e que rendimento irá obter. O plano de exploração permite-lhe conhecer o processo produtivo e os custos que a ele estão relacionados. Assim, terá de analisar a nível dos:Proveitos (com as vendas do produto/serviço)e dos custos (fixos e variáveis)
Fontes de financiamento
Para saber como vamos financiar o nosso projecto, efectuaremos primeiramente um levantamento de todos os meios de financiamento existentes, desde créditos bancários, leasings, capital de risco, etc. É importante conhecer cada uma das modalidades de financiamento para saber o cálculo da rentabilidade do nosso negócio, pois parte das receitas têm como destino remunerar os capitais alheios. A elaboração de um plano de negócios bem estruturado e capaz de transmitir o potencial da empresa é um passo para conseguir boas condições de financiamento do capital.
Plano de tesouraria
Definido o modo de financiamento, avançaremos para o cálculo dos fluxos financeiros que a empresa irá ter. Este cálculo é fundamental porque os investidores dependem dos fluxos para obterem o investimento realizado. Neste mapa de tesouraria provisório tem de se estabelecer o "ciclo de tesouraria" do negócio que depende de três variáveis e que compõem o fluxo de tesouraria:Prazo médio de recebimentos, Prazo médio de pagamentos, Stock médio.
O "ciclo de tesouraria" será favorável se o prazo de recebimentos for curto, o prazo para os pagamentos for alargado e o stock médio for de poucos dias.
Rentabilidade do projecto
Finalmente, deveremos calcular a rentabilidade do nosso negócio, utilizando um dos seguintes métodos:TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)se a taxa de rentabilidade do projecto for maior do que a TIR, então terá um VAL positivo e será aconselhável avançar com o negócio;VAL (Valor Actualizado Líquido)se o VAL for positivo, o empreendedor, está no caminho certo, pois já terá mais capital do que antes do nascimento do projecto; se for negativo deve ser rejeitado;Pay-Back Period, indica ao investidor o tempo necessário para ter de novo o investimento que fez.
Concluído o Plano de Negócios, a primeira etapa está concluída, saliente-se porém que este não evita riscos, mas ajuda a preveni-los e a optar pelo caminho mais seguro, tendo sempre a possibilidade de fazer as correcções que forem necessárias.

Anexos

Esta seção deve conter todas as informações que você julgar relevantes para o melhor entendimento de seu plano de negócios. Por isso, não tem um limite de páginas ou exigências a serem seguidas. A única informação que você não pode esquecer de incluir é a relação dos curriculum vitae dos sócios da empresa ou elementos-chave do empreendimento. Você poderá anexar ainda informações como fotos de produtos, plantas da localização, roteiro e resultados completos das pesquisas de mercado que você realizou, material de divulgação de seu negócio, folders, catálogos, estatutos, contrato social da empresa, planilhas financeiras detalhadas etc.

Como manter atual um Plano de Negócios?

Tal como no mundo real, também no mundo de negócios tudo se transforma e evolui, sendo que geralmente o primeiro a mudar é o mercado onde o negócio está inserido. Se não se acompanhar estas evoluções e possíveis mudanças a empresa pode enfrentar graves problemas. Para lidar com estas situações mais problemáticas, o plano que define o negócio deve estar preparado para as suportar, devendo para tal ser regularmente revisto e actualizado.
Uma das soluções para manter o PN actualizado consiste em monitorizá-lo constantemente. Para este método funcionar é necessário identificar as métricas que definam eficazmente a performance do negócio. Depois de se encontrarem estes parâmetros de medição, como relatórios de inventários, ou de vendas, é possível acompanhá-los para identificar anomalias (positivas, ou negativas) e desta forma, corrigir problemas, ou capitalizar as oportunidades que possam surgir.
Muitas empresas limitam-se a actualizar o seu PN anualmente. No mercado actual verifica-se que esta periodicidade é insuficiente, pelo que se torna corrente a prática de transformar os planos de negócios em “planos biológicos”.
Desta forma, o PN não é apenas um documento que fica estático numa prateleira durante 12 meses, mas que é actualizado quando surgem novas condições de mercado, ou quando ocorrem oportunidades estratégicas inesperadas.

Erros que se podem evitar graças a um Plano de Negócios

Desde que o empreendedor comece a anotar o turbilhão de ideias que surgem na sua mente, torna-se mais fácil explicar e ilustrar os conceitos que vão desde os pilares até aos pormenores do negócio. Ao mesmo tempo que é mais fácil encontrar erros de raciocínio e de previsão, fica mais acessível a correcção dos seguintes problemas:
  • Sistemas de gestão mal concebidos;
  • Pouca visão da envolvente;
  • Má análise da concorrência;
  • Plano financeiro inadequado;
  • Não existência de um plano estratégico.

Referências

Com citações no texto:
Tchau, Patrão!", Eder Bolson. Editora SENAC, Brasil. 2003 ISBN: 8589938018
Gerais:
  • "Empreendedorismo, Transformando Idéias em Negócios", J. C. A. Dornelas. Ed. Cammpus (2005), 2ª ed. 300 pp. ISBN 85-352-0771-6.
  • "Empreendedorismo Corporativo: como ser empreendedor, inovar e se diferenciar na sua empresa", J. C. A. Dornelas. Ed. Cammpus (2003). 200 pp. ISBN 85-352-1262-0.
  • Hay, Michaels (1988), "How to write a business plan", working paper London Business School
  • Sahlman, William A. (1997), "How to write a great business plan", Harvard Business Review, July-August 1997, pp 97-108.

Ver também

Modelo de plano de negócios: como fazer o seu com efetividade


por Augusto Campos 
Plano de negócio é um documento com o objetivo de estruturar as principais idéias e opções que o empreendedor analisará para decidir quanto à viabilidade da empresa a ser criada. Um projeto ou empreendimento pessoal ou corporativo pode ser estruturado e administrado de diversas maneiras, mas se você pretende buscar capital ou recursos com investidores, bancos incubadoras ou outros órgãos de fomento, ou se pretende convencer outros parceiros a investir na sua idéia, colocar na ponta do lápis o seu plano de negócios passa a ser fundamental.
Existem muitos conceitos de planos de negócios, cada um em seu próprio contexto. No âmbito deste artigo, vamos considerar que o Plano de Negócios é um documento que agrega e sistematiza informação prática e atualizada para a concretização de um projeto e para a previsão e solução de seus problemas.
Como documento em si, o plano de negócios não é dos mais complexos, e existem inúmeros modelos prontos na Internet, embora eles resolvam só a parte mais fácil do problema. Se o que você busca é um guia pronto para fazer download e preencher, verifique este Modelo de Plano de Negócios publicado pela PUC RS, este Modelo de Plano de Negócios disponibilizado pela revista Info, ou ainda o Modelo de plano de negócios simplificado, da fundação Softex.
Para apoiar algum eventual trabalho acadêmico, veja também este exemplo de plano de negócios (também em cópia local) disponibilizado pela UniRIO – é o plano para a “Formação de uma Rede de Intermediação de Negócios do Pequeno e Médio Varejo, através do Modelo de Leilão Reverso Via Internet, com Retorno Projetado de 86% a.a.”.
Mas ter modelos e exemplos disponíveis para download não quer dizer que é fácil fazer um plano de negócios. Pelo contrário: um bom plano de negócios mistura informações sobre os processos do negócio em si (características, partes envolvidas, oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos), previsões e projeções financeiras, análise do negócio, do mercado, fornecedores, concorrentes, parceiros, previsão do fluxo de caixa, necessidades de capital… Em resumo: dados, dados, dados! Você precisa obtê-los de forma atualizada e suficientemente precisa, caso contrário o seu plano de negócios pouco valerá. E é sobre isso que trataremos a seguir.

Como fazer um plano de negócios

Lembre-se de que trata-se de um documento vivo, e não de um árido demonstrativo contábil ou legal. E que uma de suas principais finalidades é convencer (a equipe, os investidores, o banco, os fornecedores, ou até mesmo os clientes potenciais) de que o seu negócio é viável e pode ser vantajoso a eles.
Portanto, ao criar o seu plano de negócios, coloque o foco nestes importantes leitores, e lembre-se de incluir, de forma simples e fácil de encontrar, as respostas às principais dúvidas deles. Se você não sabe quais são, eis algumas sugestões:
  • Sobre o negócio em si: o que é o negócio (em uma frase!), quais produtos e serviços serão oferecidos, quais as razões que levam a crer que será atingido o sucesso, quais são as oportunidades (já existentes ou que serão criadas) que você percebe e pretende explorar.
  • Sobre a administração: quem administrará o seu negócio? que experiência e formação essas pessoas têm? que qualificações busca para a equipe? quantos empregados precisará, quais suas atividades e remuneração? onde eles trabalharão? qual será a estrutura organizacional? qual a missão e a visão?
  • Sobre o mercado: quantos ou quem são os clientes potenciais, onde eles estão, alguns exemplos específicos, como você os atrairá, por que eles escolherão você e não o concorrente, quem serão seus parceiros e fornecedores, quem são os concorrentes, quais os fatores do sucesso atual destes concorrentes, qual o seu diferencial competitivo, qual o seu nicho, qual a sua delimitação geográfica, como você vai promover e divulgar seu negócio, como vai distribuir seu produto.
  • Sobre economia e finanças: fontes do capital, projeção de faturamento, investimentos e despesas para os 2 primeiros anos (trimestral), projeção de fluxo de caixa mensal para o primeiro ano, volume de negócios necessário para alcançar o ponto de equilíbrio ou o resultado operacional positivo e em quanto tempo você espera alcançá-lo, quais as condições para começar a vender e faturar, e quando você espera alcançá-las, valor do capital imobilizado em instalações e equipamentos, lista de fontes financeiras potenciais, garantias de empréstimo.
  • Mapas: estado atual, cronograma previsto, dificuldades esperadas, suas soluções e condições.
A dificuldade principal é conseqüência da natureza dos planos de negócio: eles tratam de idéias ainda não realizadas, e assim não podem (de modo geral) se basear em históricos ou em estatśiticas próprias para realizar sua previsão. O grande desafio é conseguir obter dados de organizações semelhantes, ou extrapolar a partir de outros dados, de maneira consistente, objetiva e, principalmente, convincente.
Atenção para o que ficar de fora. Na faculdade, quando me ensinaram pela primeira vez (e superficialmente, claro) a avaliar planos de negócios para análise de investimentos, o professor dizia: “Lembrem-se de encontrar as perguntas cujas respostas ficaram de fora!”. O exemplo dele era simples, mas bem claro: se o plano de negócios é sobre abrir uma pizzaria no litoral, um bom plano vai esclarecer o que vai acontecer com ela quando a temporada de verão acabar, e como ela vai fazer para durar até a próxima temporada. Se vai demitir os garçons e a cozinha, para depois recontratá-los, os custos adicionais com os encargos e Custo Brasil do processo como um todo estarão considerados, junto com a manutenção do imóvel e custos fixos durante o período de inverno. E a ausência deles é o indício de um mau plano – como podem atestar inúmeros donos de empreendimentos de verão que terminam fevereiro com saldo positivo enorme, e em abril descobrem que na verdade estão falidos!
Capriche no resumo executivo. Ele é uma das últimas partes a concluir, mas deve estar bem no início do documento. Muitas pessoas lerão apenas o resumo, e avaliarão por ele se o seu negócio vale ou não a busca de maiores detalhes. Conquiste o leitor em cada linha do seu resumo! Fale nele sobre os objetivos, as razões de sucesso, e apresente os números principais, sem exagerar na densidade das informações.
O plano de negócios não é só para os outros. O processo de construção de um bom plano de negócios é uma forma segura de o empreendedor conhecer os aspectos essenciais que podem levar ao sucesso ou ao fracasso da sua idéia. Ele não descreve apenas os objetivos do negócio, mas também quais serão os passos para a sua realização, e do que eles dependem.
Assim, fazer um plano de negócios bem feito irá obrigar o empreendedor e seus sócios a organizar as idéias sobre a viabilidade de seu negócio, levando-os ao processo de discussão e reflexão da preparação de um documento com o qual todos concordem, trazendo todas as informações essenciais para o sucesso da idéia. Portanto, ele acaba substituindo por números e argumentos as opiniões iniciais, motivadas principalmente pela própria convicção dos empreendedores.
Para saber mais: além dos guias do SEBRAE e entidades públicas, que você encontra gratuitamente na Internet (ou com uma visita ao SEBRAE, que em geral vale muito a pena), recomendo muito a leitura do livro A Arte do Começo: o Guia Definitivo para Iniciar o Seu Projeto, de Guy Kawasaki. Ele é investidor de risco, ganha a vida avaliando os planos de negócios dos mais variados empreendimentos, e resolveu escrever um livro sobre como dar forma à sua idéia – de modo que ele mesmo possa estar disposto a investir nela. A tradução para o português é bem feita, o livro é fácil de ler, um verdadeiro achado.
Leia também:

Entenda o Twitter e saiba cuidar da imagem da empresa na rede

da Livraria da Folha
Divulgação
Autora usa casos reais para mostrar como usar redes sociais
Autora usa casos reais para mostrar como usar redes sociais
Desde que as redes sociais despontaram na internet, começando pelo Orkut e tendo seu grande momento com o Twitter e o Facebook, as empresas perceberam que não poderiam ficar fora delas.
Entretanto, muitos não notaram que da mesma forma que se aproximava dos clientes de forma positiva, sabendo quais eram as suas necessidades, havia o lado negativo. Uma palavra mal colocada ou não saber como agir em uma situação de crise pode arruinar toda a imagem.
"Como Acabar com a Sua #Empresa em Apenas 140 Caracteres" é um guia para ajudar a saber o que fazer em determinadas situações usando uma conta corporativa no Twitter.
Para isso, o livro apresenta uma visão geral da ferramenta, ensinando como funciona e quais os termos específicos dos usuários do microblog. Depois, cases reais ajudam a exemplificar o tipo de atitude que você não pode ter na rede.
Leia um trecho do primeiro capítulo:
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Crescimento do Twitter
Em termos de números - usuários, veículos de comunicação ou empresas -, o Twitter vem crescendo muito. A rede está se popularizando, e já é comum as pessoas mencionarem que o Twitter é uma ferramenta essencial, como o tão conhecido email.
Desde 2006, o Twitter não para de crescer. Segundo dados divulgados no blog Estadão, em 2010, a média diária de tweets por dia era de 50 milhões; em 2011, esse número cresceu para 140 milhões. O número de usuários que acessam o aplicativo do Twitter por celular cresceu 182% em 2010; atualmente, 1 bilhão de tweets é gerado pelos usuários em uma semana (fonte: http://blogs.estadao.com.br/link/twitter-faz-5-anos).
Hoje é comum também se deparar com palavras e expressões em português nos Trending Topics mundial, isso só mostra cada vez mais o domínio dos brasileiros na ferramenta.
O crescimento acelerado de usuários no Twitter fez sua popularização crescer muito rápido também. O Twitter hoje está estampado em anúncios inseridos em cartões de visitas, exposto em propagandas e até virou argumento de venda de operadoras de celulares, em que o diferencial do aparelho é ter acesso o microblogging. O Twitter ganhou espaço também na mídia. Os veículos de comunicação já entraram na rede como um apoio para a divulgação de suas informações. Hoje se tem desde o jornal O Estado de São Paulo (@estadão) a CNN (@cnn), uma das maiores redes televisivas de notícias dos Estados Unidos. Além de as mídias de massa já possuírem suas contas criadas na rede, o Twitter está também estampado em diversas capas de revistas e jornais, com matérias sobre a ferramenta e dicas de como usá-la. Porém, o crescimento da rede não para por aí. O Twitter hoje aparece na mídia como se já fizesse parte desses meios tradicionais. A televisão, por exemplo, já adotou a rede para seus programas ao vivo, já fez trilha sonora com o nome do Twitter, e o microblogging já até ganhou seu próprio programa de televisão. A MTV Brasil foi a primeira emissora brasileira a transmitir o Twitter no ar. O aplicativo foi inicialmente usado na transmissão ao vivo do MTV MovieAwards, realizado no dia 31 de maio de 2009. O sucesso foi tão grande que alavancou a transmissão online e mais de 20 mil pessoas acompanharam e tweetaram sobre o programa.
Além da MTV, outros diversos programas, como Arena Sport TV (@arenasportv), Multishow (@multishow), AXN (@AXN_br) e Sony (@canalsony), interagem hoje via Twitter, com seus espectadores durante suas programações. O Twitter já participa de Reality Shows, está em músicas de artistas e tem até um programa próprio de Televisão, o "Twision", seu logotipo faz uma brincadeira com o termo "tu visión", em português "sua visão". O programa é da Espanha e é exibido no canal Veo7, semanal e com uma hora de duração. Os usuários da ferramenta ajudam nas pautas e nos comentários.
O que acabamos de ver é a tendência da ferramenta crescer cada vez mais em todos os meios. Portanto, quanto mais pulverizada e divulgada na mídia, centenas de pessoas entrarão na rede, resultando a preocupação das empresas em como falar com esses usuários e clientes por meio do Twitter para não ficarem malfalados no microblogging.
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Como Acabar com a Sua #Empresa em Apenas 140 Caracteres
Autor: Carolina Lima
Editora: Novatec
Páginas: 160
Quanto: R$ 32,00
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

terça-feira, 5 de julho de 2011

Equipe desmotivada: superando o desafio


Na semana passada eu vivi uma experiência rara: uma equipe formada com pessoas oriundas de diversas organizações, reunida para passar 2 dias discutindo elementos inerentemente chatos (embora importantíssimos) referentes a um projeto conjunto conseguiu se manter motivada durante todo o período.
Um sintoma da motivação, para vocês avaliarem: quando acabaram as horas alocadas para a atividade no primeiro dia, e mesmo estando rigorosamente dentro do cronograma, houve uma decisão espontânea, não induzida pelo líder, para prorrogar a atividade por mais uma hora – e esta hora adicional cuidou não de adiantar a programação do segundo dia, mas sim para refinar o que já tinha sido aprovado no primeiro.
Mas meras evidências não bastam, é preciso também comprovar a eficácia, e neste sentido também ocorreu algo que deveria ser a regra, mas nem sempre se vê: a agenda da reunião foi integralmente cumprida, e os objetivos propostos (internos à atuação do grupo) foram todos alcançados.
Estando lá para testemunhar, posso informar que boas práticas para reuniões produtivas foram seguidas, o que torna tudo mais fácil. Mas sem uma matéria-prima essencial – que é a equipe capaz de agir de forma motivada e com comprometimento, o desafio teria sido bem maior.
Mas para cada pessoa motivada a continuar correndo mesmo nas condições mais inóspitas, há um universo de pessoas que não conseguem nem levantar da cadeira por falta de motivação.
E foi essa experiência na reunião que me lembrou de trazer a vocês novamente um post de um autor convidado, o Felipe Suzin, que em 2007 nos brindou com um artigo curto e direto que trabalha exatamente desta situação oposta: o desafio de lidar com uma equipe desinteressada.
Infelizmente o integrante desinteressado ou permanentemente desmotivado é um desafio comum nas organizações voluntárias e sem fins lucrativos, mas também está presente nas empresas, na sala de aula e até no seu grupo de estudos. Como lidar com ele sem removê-lo da equação?
Seria tudo mais fácil se você pudesse clicar com o botão direito na sua equipe, selecionar a opção “Incrementar motivação”, e pronto. Mas a motivação é um processo, não um evento isolado. É conseqüência, e não causa. A sua ausência pode vir de problemas conjunturais, estruturais, de infra-estrutura, de processos, e até mesmo de liderança em si.
Algumas razões comuns para a perda da motivação do membro da equipe são a falta de reconhecimento, de conhecimento dos objetivos da atividade que realiza, de uma perspectiva de progressão no futuro, os processos mal estruturados, a inadequação das métricas às características da equipe, e a inépcia dos superiores hierárquicos.
E foi na prevenção deste último fator – nos casos em que o superior hierárquico reune o interesse e as condições – que o leitor Felipe Suzin se concentrou ao elaborar seu breve artigo, que publico abaixo. Obrigado, Felipe!

O desafio de liderar equipes com pessoas desinteressadas
por Felipe Suzin
“Li em um comentário de artigo anterior a solicitação de um leitor que queria um texto sobre a questão da liderança quando há pessoas desinteressadas na equipe. Como é área do meu interesse e uma das minhas principais atribuições profissionais, escrevi um pequeno artigo a respeito.
Desinteressados, mais do que simplesmente obstáculos funcionais, são muitas vezes uma criação da própria organização, por intermédio de políticas equivocadas de gestão de pessoas, pressão por metas elevadas sem o correspondente incentivo, ausência de planos de carreira, etc. Estes fatores ajudam a criar um verdadeiro batalhão de problemas que um pouco de planejamento poderia evitar.
Como a maior parte destes problemas pertencem à esfera estratégica da empresa, foquei no trato direto com a equipe, que está mais ao alcance do gestor de nível médio da organização. Mas não esqueça: na próxima reunião com a diretoria, puxe os temas acima citados para a mesa de discussões.
Liderando a equipe: Para liderar com efetividade uma equipe assim, a ferramenta mais útil é o diálogo. Esta é uma ferramenta tão poderosa, que pode promover verdadeiros milagres comportamentais no seu negócio. Mais eficiente que punições, demissões, e o envolvimento emocional das “chamada aos brios”.
  • A raiz do problema. Procure descobrir junto do funcionário qual a sua motivação para o desinteresse. Sim, até para não fazer nada devemos estar motivados de alguma maneira. As causas podem ser as mais diversas, mas ouvi-las e compreendê-las é um passo enorme na resolução do problema. O truque aqui é saber realmente ouvir e refletir, e não se limitar a escutar e depois fazer um discurso motivacional.
  • Agir sobre as causas. Uma vez descobertas as causas, procure saná-las. Lembra das qualidades do líder? Uma delas é remover obstáculos para a equipe. Existem desde a teoria das necessidades de Maslow até a de Extratos de Elliott Jacques para explicar a motivação das pessoas, mas o básico pode ser saber que a forma mais fácil de diagnosticar é observando com atenção e dialogando francamente.
  • Diga a verdade. Não adianta dourar a pílula se o desinteresse do seu subordinado esta atrapalhando o desempenho da equipe ou até mesmo o andamento do trabalho. Diga isto a ele com todas as letras, mas em uma conversa reservada. Nem sempre ele reagirá de forma negativa, desde que você o faça com respeito à sensibilidade de cada um. Você aumenta a chance de não ter problemas com isto se seguiu corretamente o primeiro passo.
  • Comunique bem os objetivos. Reveja a comunicação de seus objetivos. Muitas vezes o desinteresse é resultado direto da falta de comunicação clara dos objetivos da empresa ou da equipe. Em muitos casos, além dos objetivos não estarem claros, os incentivos também não estão, ou seja, os desinteressados não fazem além do mínimo necessário porque não percebem a razão de fazer mais, e nem o incentivo para que o façam, as duas chaves para o interesse.
  • Inspire a equipe. Ouça a si mesmo. Perceba o que faz com que você esteja interessado. Falar com as pessoas armado de um interesse sincero muitas vezes faz com que elas partilhem da sua motivação. Um líder muitas vezes tem um pouco desta característica inspiradora que genuinamente move os outros a segui-lo, principalmente quando eles percebem que dividindo o sacrifício com você, também partilharão da vitória no final.

Dirigentes preocupados exclusivamente com o curto prazo recorrem a instrumentos adicionais, como oferecer premiações fantásticas, estimular a competição dentro da equipe, ou simplesmente ameaçar com demissões ou perda de benefícios.
Nada garante que estas soluções comuns e imediatas não sejam mais eficientes em sua organização a curto prazo, mas elas não motivam de verdade, apenas empurram o problema para a frente.”

efetividade.net

domingo, 26 de junho de 2011

Propaganda verde precisa agora provar as vantagens ambientais dos produtos que vendem


O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) divulgou no ultimo dia 07, novas normas para publicidade que contenha apelos de sustentabilidade. As novas regras, que entrarão em vigor a partir de 1º de agosto, estabelecem, por exemplo, que a publicidade veiculada no Brasil deverá comprovar as vantagens ambientais dos produtos que vendem se quiser anuncia-los como “verdes”.
O órgão acrescentou as novas exigências no artigo 36 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária da entidade, publicado em 1978. A alteração das normas levou em conta as tendências internacionais de regulamentação publicitária, que visam coibir a banalização da propaganda sobre temas como sustentabilidade e reduzir a propaganda enganosa conhecida como greenwashing – literalmente lavagem verde, nome que define prática de manipulação ou omissão de alguma informação com o objetivo de favorecer a imagem da empresa ou instituição, ou em outras palavras, enaltecer que é ecologicamente correta quando na verdade não é.
As regras apresentadas ontem valem para todos os meios de comunicação, inclusive a internet.
Fonte: O Eco

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Muriqui o Rei da Mata Atlântica

BRA-58: O Rei da Mata Atlântica

Miriam Leitão   O Globo - Rio de Janeiro / RJ  
Uma história de idealismo e ciência que salvou o maior macaco das Américas
Tudo nessa história é inesperado. Um rico fazendeiro que abre mão do lucro para preservar mata e macacos e os protege, até à bala quando necessário, numa era em que um insensato Brasil punha abaixo a Mata Atlântica. Uma doutoranda de Harvard que desembarca em Caratinga no começo dos anos 80, se embrenha na mata e revoluciona a primatologia. O neto do fazendeiro que continua o sonho do avô nas poucas folgas que tem no emprego de piloto na Arábia Saudita. Um jequitibá e um macaco que morrem de tristeza. E mais impressionante: um grupo de primatas que não briga por comida ou fêmea, vive em harmonia, dividindo uma dieta vegetariana de flores e frutas.
É preciso seguir o fio condutor, que começa nos anos 40, quando um imigrante libanês com seu filho Feliciano caminhava com mulas cheias de mercadorias pelas trilhas do interior de Minas. O libanês Miguel Abadalla era tropeiro; já Feliciano Miguel, seu filho, quis se estabelecer. Escolheu investir o dinheiro guardado na bela Fazenda Montes Claros em Caratinga. No dia de fechar o negócio, seu Benzinho, o antigo dono, impôs uma condição: vendia apenas se o novo dono jurasse proteger a mata.
'Poluição é progresso'
Esse era o ano de 1944 e Caratinga era uma fronteira onde desembarcava gente de todo lado; terra selvagem onde muitas vezes as disputas eram decididas a bala. Depois vieram os anos 50 do desenvolvimento a qualquer preço, os anos 60 e 70 em que o governo tinha o anúncio "Poluição é progresso". Feliciano Miguel Abdalla cumpriu a palavra dada. Sozinho defendeu a mata que cobre dois terços da sua fazenda, no resto plantou café, criou gado. Durante todos aqueles anos ele fechou os ouvidos para os amigos e supostos especialistas que diziam que ele deveria "limpar" toda aquela floresta e plantar café. Nesse meio tempo, quase toda a Mata Atlântica foi derrubada. Mas de pé ficaram as árvores do Feliciano. Ele tinha os ouvidos abertos apenas para captar os barulhos de caçadores na mata. Quando os ouvia corria atrás com suas armas e os espantava a tiros.
A cidade via como esquisitice a briga de Feliciano para proteger sua mata e seus macacos. Das várias espécies que viviam nos 900 hectares de mata, uma conquistou a predileção do dono da fazenda: os muriquis do norte ou monocarvoeiros. Viraram, para a cidade, "os macacos do Feliciano".
Um dia, no final dos anos 70, chegou um pesquisador, Álvaro Aguirre, da UFMG. Depois, o professor Célio Valle. Eles foram revelando a dimensão do que fora feito. Feliciano havia preservado, com sua coerente teimosia, um tesouro para a ciência e o ambientalismo: a maior e mais viável população do maior macaco das Américas. Da ponta dos seus braços esticados à ponta dos pés, eles chegam a medir um metro e meio. A espécie, extremamente ameaçada, começou a ser conhecida fora do país quando o presidente da Conservação Internacional, Russel Mittermeier, promoveu o vídeo "O Choro do Muriqui", um emocionante apelo pela proteção da espécie. A gravação do vídeo, nos EUA, foi ouvida por uma aluna, Karen Strier, que fazia seu doutorado em Harvard.
Agonia da mata ameaça muriqui
Ela veio estudar os muriquis e mudou o paradigma da primatologia que tinha como estabelecida a tese da agressividade, da dominância do macho e das disputas territoriais. Atraídos pelos estudos dela e por um congresso no Brasil, os maiores primatologistas do mundo acamparam no pátio da casa do Feliciano. O homem, que a cidade não entendia, estava sendo compreendido, naquele começo dos anos 80, pela nata da ciência mundial.
Ele ajudou a ciência a revelar um primata diferente: extremamente pacífico, seus grupos vivem sem hierarquia, sem dominância masculina, com explícitas demonstrações de afeto entre eles. As fêmeas trocam de parceiro, mas nunca copulam com os filhos, aos quais vivem grudadas até eles terem dois anos. São elas que migram na adolescência para outros grupos.
O estudo da Karen tem outro inesperado. Além das revelações interessantes, a persistência dela e seu esforço têm mantido mais de 20 anos de pesquisas com bolsistas do Brasil e do exterior, que estão chegando a novas revelações interessantes sobre esses carismáticos primatas. Mais estudados, eles ficaram mais protegidos e o grupo começou a crescer, mas agora está chegando no limite que o fragmento da mata pode oferecer. A agonia da um dia exuberante Mata Atlântica é a morte certa para eles. Lá é o único lugar em que os muriquis sobrevivem. E eles são um dos seus principais dispersores: as sementes que passam pelos seus intestinos germinam, o pólen das flores que comem são espalhados pelos seus corpos.
Sua linha de pesquisa é diferente. Ela não toca nos macacos, não os captura para marcar ou tirar sangue. Os pesquisadores apenas coletam fezes para estudos de DNA. A vantagem dos muriquis é que eles têm uma despigmentação no rosto que é uma espécie de impressão digital. Cada indivíduo tem uma marca única. Para estudá-los ela pôs nomes. O mais velho tinha lábios leporinos, e ela o chamou de Cutlip, lábio cortado.
Feliciano Miguel Abdalla morreu em 2000, aos 92 anos. Seu legado foi protegido pela mulher Palmira e pelos filhos. Ele havia doado uma parte da Fazenda para ser instalada a Estação Biológica onde ficam os pesquisadores. Seus descendentes transformaram a mata em RPPN, Reserva Particular do Patrimônio Natural, numa prova do compromisso com o sonho. O neto, Ramiro Abdalla Passos, de profissão piloto, e que só encontrou na remota Arábia Saudita um emprego estável, gasta suas vindas a cada dois meses ao Brasil para continuar o trabalho de proteção através da ONG Preserve Muriqui. Karen escreveu trabalhos técnicos que viraram livro-texto da primatologia. E um texto fácil de ser lido por leigos: "Faces in the forest", que está sendo traduzido pela Preserve Muriqui.
Quando recebia alguém na fazenda, Feliciano tinha uma mania: levava o visitante para conhecer a sua árvore favorita, um jequitibá. Soberana da mata, a árvore de 50 metros e duzentos anos era um magnífico exemplo da exuberância da Mata Atlântica. Foi lá que, em entrevista à TV Globo, mais de dez anos atrás, ele explicou de onde veio sua sabedoria ambiental: do pai libanês.
- Meu pai sempre me dizia que tivesse cuidado com as matas, as madeiras, porque o fim disso seria trágico. Aquilo gravou na minha memória e eu tornei-me um conservador praticamente de berço. O que me preocupa é minha idade avançada, mas meus filhos vão continuar a minha defesa que eu fiz até o momento presente.
Dias depois da morte de Feliciano, Cutlip apareceu morto, morte natural. E, do nada, tombou, sem causa aparente, o belo e frondoso jequitibá. Ele está lá caído e impressiona quem quiser ver que essa história, além de inesperada, tem também seus mistérios.

O REI DA MATA ATLÂNTICA: Gigante equilibrista não entra em disputas e age de forma diferente dos primos africanos
Um macaco pacífico que destruiu mitos
Pesquisadora americana que se dedicou ao estudo dos símios revelou novos padrões de comportamento
Karen Strier desembarcou em Caratinga, Minas Gerais, jovem estudante de doutorado da universidade de Harvard, para uma trajetória que desmontaria as convicções científicas sobre o comportamento dos primatas. Karen já havia estudado os babuínos do Parque Nacional do Amboseli, no Quênia. Pensava estudar, para seu doutorado, os bonobos ou os chimpanzés. Mas seu orientador lhe falou dos muriquis de Caratinga e a apresentou a Russel Mittermeier, presidente da Conservação Internacional, e ele a trouxe ao Brasil para conhecê-los.

Veio, viu e gostou. Optou por estudar esses simpáticos e desconhecidos macacos do Novo Mundo, em vez dos prestigiados primatas de grande porte do Velho Mundo, que haviam sustentado por décadas a noção de que havia um padrão de comportamento típico dos primatas que chegava, na cadeia evolutiva, até o primata humano.
Voltou aos EUA, levantou fundos para sua pesquisa e começou um estudo que já dura 26 anos. Foi pavimentando cuidadosamente seu caminho para o centro da primatologia mundial. Em 1994 publicou um artigo que virou referência obrigatória para qualquer trabalho sério sobre o comportamento de primatas e até sobre o comportamento humano. "O mito do primata típico" desmoronou o paradigma tradicional da antropologia sobre o comportamento dos primatas e contribuiu para substituir a idéia de um comportamento padrão pela noção mais rica e correta da diversidade de comportamentos. Esse ano passou a fazer parte da prestigiosa Academia Nacional de Ciência dos EUA.
Quando você veio estudar no Brasil era jovem, não conhecia o país, não falava a língua. Não teve medo?
KAREN STRIER: Medo tinha, mas a sensação maior que eu tinha, antes de falar português, era solidão. Eu me sentia muito sozinha. As pessoas eram simpáticas, mas conversavam entre elas. Para não me sentir sozinha, ficava na mata. Com os muriquis, eu não me sentia sozinha.
Hoje está totalmente integrada, conhece todo mundo, é madrinha de casamento. Como conseguiu se integrar?
KAREN: Tem gente aqui que eu conheço mais da metade da minha vida. Isso é profundo. Conheço gente aqui há mais tempo do que conheço meu marido. Na época eu achei que, ao fim da pesquisa, eu não iria voltar. Mas recebi uma carta do pessoal daqui me dizendo que haviam nascido filhotes. E eu perguntei: quem nasceu? Filho de quem? Fiquei interessada, procurei financiamento e voltei. Quando cheguei, estava sendo esperada na porta do ônibus pelo senhor Feliciano e outros moradores. Foi lindo. Senti que estava voltando para casa. E aí voltei de novo, voltei de novo e continuo voltando sempre.
Você e o senhor Feliciano eram totalmente diferentes. Você fazendo doutorado em Harvard e ele um homem local, ex-tropeiro. Como vocês se entenderam?
KAREN: Eu era muito nova e ele era um cavalheiro, ele se sentia responsável. Não tinha responsabilidade, mas achava que tinha que cuidar de mim. Sempre perguntava por mim e eu estava sempre trabalhando e isso fez com que ele me respeitasse. Ele também era muito trabalhador. Eu sempre respeitei as regras estabelecidas por ele, sabia que estava aqui graças a ele, nas terras dele. Entendi meu lugar e não me sentia importante. Na época as pessoas tinham suspeita dos estrangeiros. Eu não mostro dentes, sei me comportar. Estudo primatas, afinal de contas.
Você consegue entender o que o levou a preservar numa época em que ninguém tinha a mentalidade ambiental?
KAREN: O que ele falou para mim é que ele preservou a mata para segurar a água que precisava para o café. Eu tinha mais educação formal que ele, mas repare que ele não precisou de educação formal para saber coisas muito importantes e práticas. Ele também se apaixonou pelos muriquis e por isso defendeu a mata.
Depois do doutorado, qual foi o caminho de sua carreira nos Estados Unidos?
KAREN: Eu recebi a oferta de uma bolsa para estudar primatas na Ásia, uma bolsa de muito prestígio na primatologia: a Luce Fellowship. Fiquei em dúvida. A decisão era profunda. Eu tinha que escolher ser uma pessoa que estuda várias coisas, ou que se aprofunda num ponto. Se tivesse ido para a Ásia, depois de ter estado na África e na América do Sul, passaria a ter uma visão global dos primatas. Decidi continuar estudando os muriquis no Brasil. Fui para a Universidade de Wisconsin, onde estou até hoje, e mantive aqui as pesquisas de longo prazo.
Quando é que você percebeu que tinha escolhido um objeto de estudo realmente interessante?
KAREN: Na época os modelos comparativos de estudo dos primatas eram todos os dos primatas do Velho Mundo, babuínos, macacos reses, macaco japonês, chimpanzés. Tudo muito bem estudado. O comportamento era o mesmo: sistema de hierarquia, macho dominante, agressividade. Os muriquis não tinham esse sistema. Tinha certeza, por ter estudado os babuínos, que os muriquis não se comportavam como os babuínos. A duvida é: se eles não usam esse sistema dos outros, como eles se comportavam? Fiquei com medo de as pessoas não acreditarem que a minha tese contrariava o conhecimento tradicional sobre os primatas. Quem era eu para dizer: olha eu tenho um modelo de estudo do comportamento dos primatas inteiramente diferente de tudo o que existe até hoje? Por isso os primeiros trabalhos que publiquei foram trabalhos muito sistemáticos, dei muitos dados, estudei a alimentação deles, alguns hábitos, coisas assim. Quando eu já era mais reconhecida no meio acadêmico é que incluí o ponto mais importante: o comportamento social deles é totalmente diferente. Em 1994, publiquei o trabalho chamado "O mito do primata típico" na "Yearbook of Physical Anthropology". Esse teve um impacto e tem sido usado como texto de estudo. O que ajudou muito foi que, em 1988, a Sociedade Internacional de Primatologia realizou aqui no Brasil seu congresso. Então, os maiores primatologistas do mundo vieram para cá e vieram ver os muriquis. Entre eles o casal do projeto da pesquisa sobre os babuínos. Eles me apresentaram aos babuínos e eu pude mostrar os muriquis para eles. Aí, eles disseram: nossa, esses macacos não se comportam como os babuínos. Era isso que eu queria provar! Meu orientador de Harvard estava aqui, se você falasse um nome de um primatologista famoso no mundo, ele ou ela estava aqui. Todos conheceram os muriquis, a mata, minha pesquisa. Por isso, quando eu disse que era um modelo diferente, eles acreditaram.
Vinte anos depois a que outras conclusões chegou?
KAREN: A visão de longo prazo tem nos ajudado a ver melhor. Nos últimos dez anos nasceram mais machos. Quando eles forem adultos, pode haver mais competição. Aí vamos ver se a falta de agressão, esse pacifismo, é uma conseqüência de uma demografia muito favorável aos machos.
Já tem havido mudança de comportamento?
KAREN: Eles estão ficando mais tempo no chão. Não sei se eles não estão se sentindo ameaçados, ou se eles estão aprendendo com a gente. Tem animal aqui que desde que nasceu vive sempre com dois pesquisadores olhando para ele. E o que os pesquisadores fazem? Andam no chão. Tive uma experiência aqui interessante. Estava treinando um grupo de pesquisadores. Tinha muita gente, a equipe antiga e a nova. Umas sete pessoas. O que não é normal tanta gente. Nós estávamos ensinando os novos a coletar as fezes para os estudos genéticos. Tinha uma fêmea numa árvore e, quando ela fez cocô, nós ficamos animados, corremos e coletamos tudo. Eu voltei para os Estados Unidos e, dias depois, os pesquisadores me ligaram e disseram que aquela fêmea estava comendo as fezes. Eu disse: não se preocupem, porque ela não vai continuar com esse comportamento muito tempo. Foi o que ocorreu. O que tinha acontecido? Ela viu sete pessoas animadas, correndo e falando alto em torno das fezes dela. Ficou curiosa e quis experimentar, depois desistiu.
Por que você escolheu essa linha de pesquisa? Em vez de capturar os animais, coletar sangue, pôr um chip, você tem tentado fazer estudos genéticos através das fezes e nunca tocar nos animais. Por quê?
KAREN: Não conseguiria fazer uma pesquisa invasiva. O único problema de fazer uma pesquisa menos invasiva é que exige mais tempo. É fácil capturar o animal e pôr o rádio; você pode acordar meio-dia e ligar o rádio e saber onde ele está. Não sou totalmente contra o método, mas eu percebi que, com um pouco de trabalho a mais, não colocaria os animais em risco. Eu sou estrangeira. Se eu vou capturar os animais para estudá-los, como posso impedir que outros o façam? Aqui tudo é muito frágil. Perder um animal é uma porcentagem. Pode-se medir a falta. É um em 300. Eu coleto as fezes, mando depois o material para o Espírito Santo, para a UFES. Ou seja, não estou levando nada para fora do país, o patrimônio está aqui sendo estudado.
Há consangüinidade?
KAREN: Todos os dados mostram que isso que acontece em outros lugares - alta mortalidade dos infantes, taxa reprodutiva lenta - não acontece aqui. Aqui tinha dois grupos: Matão e Jaó. Agora eles se subdividiram. Mesmo assim há uma possibilidade de consangüinidade. Outra vantagem aqui, para evitar a consangüinidade, é que temos dados que mostram que as mães evitam copular com os filhos. Assistimos a mais de mil cópulas e foi visto uma ou duas vezes, no máximo, uma fêmea copulando com o filho.
Quais são as novas linhas de pesquisa?
KAREN: Tem muita coisa interessante. Por exemplo: os efeitos da demografia no comportamento. Um macho que agora tenha vinte anos viveu dois terços da vida com uma demografia muito favorável, mas o último terço viverá numa demografia menos favorável. O que vai acontecer? Qualquer resultado é interessante. Se mudar o comportamento, eu posso concluir muita coisa. Se não mudar, posso concluir outras coisas importantes também.
"O comportamento social dos muriquis é totalmente diferente (do de outros primatas)"
"Ele (Feliciano) também se apaixonou pelos muriquis e por isso defendeu a mata"
 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Como utilizar o Twitter na sua empresa de forma eficiente


Seu negócio está no Twitter? Pois deveria estar. São mais de 200 milhões de usuários que enviam cerca de 65 milhões de mensagens por di

Desenvolvido por:
A sua empresa já tem um perfil no Twitter? Então crie já. O microblog tweetou seu caminho até o topo das redes sociais. São mais de 200 milhões de usuários que enviam 65 milhões de tweets por dia.
Mas alto lá. Se você ainda não aprendeu em outras redes sociais, o relacionamento com clientes nessas plataformas não é o mesmo que pessoalmente. Você precisa aprender tanto o uso do Twitter quanto como usá-lo para se comunicar de maneira efetiva com consumidores para obter sucesso.
Aqui estão oito dicas para começar na direção certa:
1 - Construindo uma lista de seguidores
Não importa o valor da comunicação via Twitter se não há leitores. Seus tweets são públicos e pesquisáveis de acordo com os tópicos específicos contidos em sua mensagem, mas você precisa construir uma lista de seguidores ativos que leiam seu conteúdo. Os seguidores no Twitter representam sua comunidade, são a audiência e com quem você se relaciona.
Se você é Ashton Kutcher, Charlie Sheen ou Lady Gaga, tudo que precisa fazer é criar uma conta no microblog e milhões de pessoas irão seguir seu perfil instantaneamente. Caso você não seja um megastar, e a maioria não é, você vai ter que se esforçar para conseguir isso. Comece convidando comunidades de clientes que você tenha.
Sua companhia tem site, blog, lista de contatos ou newsletter? Use todos os meios que você possui. Se seus clientes já têm conta no serviço, convide-os a seguir seu perfil. Você deve também incluir o endereço do Twitter da sua empresa na assinatura de seus e-mails, marketing de apoio ou qualquer tipo de exposição. Você pode até mesmo estimular os usuários com sorteio de prêmios ou desconto em serviços.
Parte da cultura do Twitter é que os usuários seguem de volta quem os segue. Clique no link de sugestões no Twitter “Who to Follow”. Ferramentas como o software Tweet Adder pode dar mais detalhamento de contas a serem seguidas. Use-a para selecionar usuários de companhias similares ou que compartilham interesses com seus serviços e então siga automaticamente esses internautas. Certo número de perfis devem segui-lo de volta. Mas antes disso, é claro, deixa a sua página no Twitter atraente com uma boa imagem de perfil e bio.
2 - Conheça as regras do relacionamento
Se você é novo, aprenda o básico. As melhores práticas do Twitter como direct messages, o uso do ”@” para responder a usuários e os retweets. As direct messages são particulares. Para enviá-las, basta colocar a letra “d” antes do nome de perfil do destinatário.  Para conversar em tweets público é feito o mesmo procedimento, mas substituindo a letra “d” pelo “@”. Caso você queira reenviar uma mensagem de outro internauta, basta colocar o mesmo símbolo antes do nome do usuário e escrever as letras “RT” no começo do tweet. Você pode também pedir educadamente que seu público retweet suas publicações.
Essas práticas atraem a atenção dos seguidores, que podem ver que você está interagindo com eles. Para ter ter sucesso nessa ação, escreva uma mensagem curta antes de replicar a publicação de outro usuário. E fique atento a tweets sobre suas mensagens para manter uma conversa. Assim que aprender o básico, ferramentas com o Group Tweet permitem que você se comunique com grupos de usuários, mesmo via direct messages.
3 - Valorize a conversa
Um dos maiores erros que companhias cometem no Twitter - e nas redes sociais em geral - é tentar usá-lo para um marketing antiquado. O slogan que sua empresa usa em campanhas publicitárias na mídia pode se revelar falso no microblog.
O Twitter pode ser uma ferramenta importante de marketing, mas a rede social deve gerar conversação e agregar valor à marca. Você se promove por quem é, não pelo que diz ser. Você pode certamente usar o microblog como um meio para anunciar produtos ou serviços novos, mas seus tweets precisam valorizar o público para manter sua audiência interessada. Compartilhe informações relevantes sobre o seu setor, assim como dicas e conselhos e conversas em geral para motivar seus contatos a participar das discussões. Faça tweets divertidos e espirituosos, diga algo único. Se posicione como especialista em sua área e ofereça conselhos gratuitamente. É melhor divulgar opiniões próprias e pessoais do que apenas repetir o que os outros dizem.
4 - Encurte os links
Utilize ferramentas de encurtamento de link, como bit.ly e TinyURL para que seus links não utilizem todos os 140 caracteres do seu tweet. O bit.ly oferece também mensuração de acessos para monitorar o sucesso da sua publicação. Você pode analisar quantos cliques foram dados em cada link e qual foi mais popular, informação que você pode usar para descobrir o que funciona melhor.
5 - Enriqueça seus tweets com ferramentas de terceiros
Uma quantidade incrível de ferramentas e plug-ins para Twitter pode aumentar o valor do seu perfil. Apesar de a rede social ter sido criada como forma de serviço de SMS via internet, você pode ampliar o tamanho de suas mensagens e enviar outros tipos de arquivo. Comece usando o TwitPic ou o Yfrog para compartilhar fotos ou vídeos. Habilite estes serviços no seu smartphone para que você possam mostrar - e não apenas contar - a coisa engraçada que você viu na rua.
Você pode tornar os tweets mais interativos conectando-os com pesquisas, usando o Twtpoll, ou a salas de  bate-papo, com o Nurph. Seus seguidores vão prestar mais atenção em seus tweets se acharem conversas interessantes para participar. E integrando o Twitter com serviços de localização, como o FourSquare, pode chamar a atenção. Por exemplo, durante aquela conferência em Atlanta, alguém da sua área pode ver que você está realmente lá.
O TweetDeck, recentemente comprado pelo Twitter, permite que você gerencie multiplas contas tanto no microblog, como no Facebook, LinkedIn, MySpace, Google (GOOG) Buzz, and Foursquare. Você pode criar listas e filtrar o conteúdo dos updates que quer receber. O aplicativo possui colunas que permitem que o usuário monitore palavras-cheve específicas ou hashtags. Você também pode habilitar o TweetDeck a enviar alertas quando outras contas no Twitter mencionem sua companhia, o que dá oportunidade para identificar clientes fiéis, possíveis questões de relações públicas e gerenciar crises rapidamente.
O programa também permite programar o horário das publicações, mas o Timely, da Flowtown, vai além. Ele analise seus tweets anteriores e estima qual hora do dia eles são mais favoráveis e então programa seus próximos tweets de acordo com o resultado.
6 - Use hashtags
As hashtags são símbolos # na frente de palavras-chave.  Elas tornam seus tweets mais fáceis de pesquisar. Ferramentas como o TweetDeck e o Hashtags.org  permitem que visualizar os tweets mais recentes com qualquer hashtag. Uma hashtag comum no Twitter é #FollowFriday ou #FF, que às sextas-feiras divulga nomes de usuários que você acha relevantes. É um método valioso de conseguir mais seguidores.  Se você ganhar novos seguidores, responda agradecendo a indicação. Esse tipo de toque pessoal é uma das coisas de que os usuários gostam.
Uma maneira de atrair a atenção é tweetar sobre tópicos enquanto eles estão entre os mais postados do momento. Crie um Google Alerta para rastrear assuntos da sua área, e quando ele enviar uma histórica inédita e relevante para seu e-mail, envie essa mensagem aos seus seguidores. Se sua compania conserta computadores antigos e uma matéria sobre desperdício de eletrônicos está nas manchetes dos jornais, você pode criar a hashtag #ewaste ou #desperdicioeletronico em um tweet que explique como seu trabalho  deixa equipamentos eletrônicos fora de aterros sanitários.
Mesmo que você não comente as mais novas histórias populares do dia, você pode direcionar seu Twitter para divulgação de eventos na sua área. O NearbyTweets permite visualizar quem está falando sobre praticamente qualquer tópico em uma parte específica do mundo.
7 - Evite armadilhas
Já falamos sobre não usar o Twitter como ferramenta de spam. Mas cuidado com outras armadilhas. Lembre que muitos “seguidores” não estão realmente prestando atenção. Mesmo que a tática de conseguir seguidores seja seguir usuários com interesses em comum e esperar que haja reciprocidade, isso só vai até aí. Muitos internautas que seguirem seu perfil podem estar usando a mesma tática para aumentar a força de suas contas no microblog, e eles não estão realmente interessados nas suas publicações ou área de negócios.
Utilize o Klout ou o Peerindex para ter ideia de quantos seguidores são realmente ativos. Esses serviços dão notas de 1 a 100 para medir sua influencia online. Em algum ponto, você terá que parar de usar a estratégia de seguir usuários para conseguir mais seguidores.Deixa a sua conta no Twitter falar por si própia e espere a divulgação boca-a-boca da qualidade do seu perfil.
8 - Não espere milagres
Preciso lembrar que você não é a Lady Gaga?  Você não vai ter milhões de seguidores instantaneamente. Não haverá um aumento milagroso nas vendas ou no lucro da sua companhia só porque você criou uma conta no Twitter. Como para tudo que vale a pena ser feito, não há atalhos mágicos.
Se você usar corretamente, o Twitter pode ser uma poderosa ferramenta de marketing, um instrumento para conseguir o reconhecimento da marca e a fidelidade de clientes. Seja paciente. Agregue valor. Construa uma comunidade e deixe o conteúdo e o reconhecimento dos seus seguidores ser a força que o leva ao sucesso, tanto a sua conta no Twitter, quanto nos seus negócios.